Neurodivergência · Psicoterapia

Psicoterapia neuroafirmativa: o que significa e como funciona?

Muitas pessoas neurodivergentes chegam à psicoterapia depois de experiências em que sentiram que precisavam mudar características importantes de si mesmas para serem consideradas adequadas.

Por isso, falar sobre uma abordagem neuroafirmativa é também falar sobre a maneira como compreendemos diferença, sofrimento e cuidado psicológico.

Uma prática neuroafirmativa parte de um princípio fundamental: diferenças neurológicas fazem parte da diversidade humana e não devem ser tratadas automaticamente como falhas que precisam ser corrigidas.

Composição conceitual relacionada ao funcionamento mental e à neurodivergência
01

O que significa uma abordagem neuroafirmativa?

Uma perspectiva neuroafirmativa reconhece que pessoas podem pensar, sentir, perceber estímulos, comunicar-se, organizar informações e se relacionar com o ambiente de formas diferentes.

Isso não significa ignorar dificuldades.

Pessoas neurodivergentes podem enfrentar desafios significativos em diferentes áreas da vida.

A diferença está em como esses desafios são compreendidos.

Em vez de perguntar apenas

“Como fazer essa pessoa funcionar como todo mundo?”

podemos perguntar

“O que essa pessoa precisa para viver de uma forma mais sustentável?”

Essa mudança de perspectiva transforma o processo terapêutico.

02

A terapia não busca “corrigir” a neurodivergência

Autismo, TDAH e outras formas de neurodivergência atravessam maneiras de perceber e interagir com o mundo.

Quando todo o acompanhamento é construído a partir da tentativa de eliminar características consideradas inadequadas, existe o risco de desconsiderar necessidades legítimas.

Uma psicoterapia neuroafirmativa busca compreender a pessoa como um todo.

Isso inclui suas dificuldades, mas também:

  • recursos;
  • interesses;
  • formas de comunicação;
  • sensibilidades;
  • valores;
  • identidade;
  • história;
  • contexto social.
Perspectiva

O objetivo não é produzir uma versão “mais normal” da pessoa.

É ajudá-la a compreender melhor a própria experiência e construir recursos possíveis para sua vida.
03

Cada pessoa neurodivergente é diferente

Ter o mesmo diagnóstico não significa ter as mesmas necessidades.

Duas pessoas autistas podem apresentar experiências muito diferentes.

O mesmo acontece entre pessoas com TDAH, altas habilidades ou dupla excepcionalidade.

Por isso, o processo terapêutico precisa ser individualizado.

Na minha prática, busco compreender:

Quem é essa pessoa?

Em qual contexto ela está inserida?

Quais demandas têm produzido sofrimento?

Quais recursos já existem?

Que tipo de suporte pode ser construído?

A partir dessas respostas, o acompanhamento pode ganhar uma direção mais coerente com a realidade de cada paciente.

04

A Gestalt-terapia e o olhar para o contexto

Meu trabalho é fundamentado na Gestalt-terapia, em diálogo com uma perspectiva neuroafirmativa e contextual.

Isso significa compreender a experiência considerando a relação entre pessoa, corpo, ambiente e história de vida.

Uma dificuldade não acontece isoladamente.

Questões relacionadas ao ambiente familiar, escola, universidade, trabalho, saúde física, relacionamentos e acessibilidade podem atravessar profundamente a experiência psicológica.

Por isso, quando necessário, a construção e o fortalecimento da rede de apoio também podem fazer parte do processo terapêutico.

05

Quais questões podem ser trabalhadas?

A psicoterapia pode abordar diferentes aspectos da experiência neurodivergente, incluindo:

  • regulação emocional;
  • sobrecarga sensorial;
  • organização da rotina;
  • identidade;
  • relações;
  • autonomia;
  • construção de autosuporte;
  • retomada de projetos;
  • reconhecimento das próprias necessidades.

Também é possível realizar acompanhamento durante períodos de investigação diagnóstica ou após o recebimento de um diagnóstico.

06

Um espaço afirmativo também precisa respeitar outras dimensões da pessoa

Ninguém pode ser compreendido apenas por um diagnóstico.

Minha atuação também considera como questões relacionadas à deficiência, doenças crônicas, doenças raras e condições autoimunes podem atravessar identidade, relações, trabalho e cotidiano.

A proposta é construir um cuidado contextualizado.

Isso significa reconhecer que cada pessoa possui uma combinação própria de experiências, necessidades, limites e possibilidades.

07

Psicoterapia neuroafirmativa em Belém e online

Sou Giulia Camporez, psicóloga, CRP 10/10946, formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em Psicologia Hospitalar pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Tenho mais de 13 anos de experiência em saúde mental e atualmente atuo especialmente com adolescentes e adultos neurodivergentes, além de trabalhar como supervisora clínica na área de neurodivergência.

Os atendimentos são realizados presencialmente em Belém e online.

A psicoterapia pode ser um espaço para compreender suas necessidades sem partir da ideia de que sua maneira de existir precisa ser corrigida.